Educação financeira: Paraná inclui debate sobre Bets nas aulas do terceiro trimestre da rede estadual de ensino
O crescimento das plataformas de apostas esportivas (bets) e a ampliação do debate nacional sobre educação financeira nas escolas têm reforçado a importância de preparar crianças e jovens para tomar decisões conscientes sobre consumo, crédito e planejamento financeiro.
No Paraná, esse trabalho já faz parte da rotina da rede estadual desde 2021, quando a Educação Financeira passou a integrar o currículo escolar, trabalhando temas como consumo consciente, investimentos, prevenção ao endividamento e análise de riscos.
No ano passado os riscos de plataformas de jogos de azar já foram discutidos em sala de aula. Para o terceiro trimestre de 2026, os estudantes do ensino médio terão 3 aulas para debater especificamente sobre as bets (plataformas que incluem jogos de azar e apostas esportivas), visto o crescimento de propagandas, de plataformas disponíveis para esses fins e também com a popularidade dos jogos da Copa do Mundo.
Em sala de aula, os professores já percebem que o tema faz parte da realidade dos adolescentes. O economista e professor de Educação Financeira do Colégio Estadual José Fressato, em Curitiba, Paulo Catini, afirma que muitos estudantes começam a trabalhar entre os 16 e 18 anos e passam a ter maior autonomia sobre o próprio dinheiro, o que torna essencial discutir os riscos das apostas.
"A ilusão do ganho fácil cria uma relação perigosa de dependência. Já encontrei aluno com dezenas de aplicativos de apostas instalados no celular. Quando mostramos como esses mecanismos funcionam e os riscos envolvidos, ajudamos os estudantes a desenvolver senso crítico para fazer escolhas mais conscientes", afirma.
EDUCAÇÃO FINANCEIRA - Segundo Catini, os assuntos que mais despertam o interesse dos estudantes são aqueles que fazem parte da realidade deles, como controle de gastos, primeiro emprego, investimentos, salários, profissões e empreendedorismo. Ele conta que, frequentemente, os alunos levam essas discussões para casa e compartilham o que aprendem com as famílias.
"A educação financeira trata de situações do cotidiano. Quando os alunos participam das aulas e relacionam os conteúdos com a própria realidade, eles acabam levando essas conversas para dentro de casa também", destaca.
A partir do 8º ano, os estudantes da rede estadual têm uma aula por semana integrada à matemática, a partir do ensino médio, passam a ser duas aulas semanais. No ensino integral, tanto o Ensino Médio quanto o Ensino Fundamental contam com duas aulas por semana desde o 6º ano. Já nos Colégios Cívico-Militares tanto os últimos anos do Ensino Fundamental quanto todo o Ensino Médio contam com duas aulas semanais.
No Ensino Fundamental, a Educação Financeira aborda temas ligados ao consumo consciente, planejamento financeiro, orçamento familiar, pesquisa de preços, controle de receitas e despesas, prevenção ao endividamento, crédito, juros, inflação e investimentos. Os estudantes também discutem empreendedorismo, formas de geração de renda, direitos do consumidor, sustentabilidade, educação fiscal e desenvolvem uma visão crítica sobre hábitos de consumo e tomada de decisões financeiras.
No Ensino Médio, o componente aprofunda esses conhecimentos com foco no projeto de vida e na autonomia financeira. Entre os temas trabalhados estão planejamento financeiro de longo prazo, investimentos, mercado financeiro, crédito, tributos, empreendedorismo, educação fiscal, consumo responsável, economia digital, segurança financeira, análise de riscos, além da reflexão sobre decisões econômicas que impactam a vida pessoal, profissional e a participação cidadã. O currículo também incentiva os estudantes a aplicar esses conhecimentos em situações reais e na elaboração de estratégias para sua vida financeira.
PREVIDÊNCIA – Em 2026, a rede estadual também passou a incluir conteúdos de educação previdenciária para estudantes da 3ª série do Ensino Médio. Os módulos abordam conceitos de seguridade e previdência social, planejamento previdenciário e a relação entre previdência e educação financeira, complementando a formação dos estudantes para decisões conscientes sobre o presente e o futuro. A iniciativa faz parte do Programa Jovem Previdente, desenvolvido em parceria entre a Secretaria de Estado da Educação, a Paranaprevidência e a Escola de Gestão do Paraná.

