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O Protagonismo da juventude no conhecimento científico e nos jornais


Por: Artigo de opinião
Data: 09/03/2026
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Durante minha formação acadêmica (2014–2025) — graduação, mestrado e doutorado — em História, na Universidade Estadual de Maringá, dediquei-me à pesquisa em jornais; entre os temas investigados, destacou-se a juventude. Segundo Karl Mannheim (1954), a juventude constitui uma fonte privilegiada para a realização das potencialidades em determinado contexto. O termo analisado pelo autor, “reserva latente”, explicita uma energia social ainda não plenamente mobilizada. Assim, Mannheim (1954, p. 50) afirma: “a função específica da mocidade é a de agente revitalizante”. Isso significa que a juventude não apenas representa o futuro, mas é portadora de uma capacidade singular de renovação, capaz de desafiar estruturas enrijecidas e propor novas formas de organização social.

Ao ingressar no Colégio Coração de Jesus, deparei-me com um cenário instigante: educandos profundamente interessados em discussões filosóficas, sociológicas, históricas e literárias. Já na primeira semana, alunos da terceira série do Ensino Médio perguntaram-me sobre o envio de textos e análises para o Sagrado Acadêmico, coluna deste jornal que ganhou força entre 2023 e 2025 com o Projeto Educador Fernando Rezende.

No atual cenário educacional — marcado por um forte viés conteudista e quantitativo — surpreenderam-me positivamente os projetos aqui desenvolvidos, nos quais a valorização da leitura, do diálogo e da criticidade se apresenta como princípio efetivo na construção do conhecimento dos educandos.

Na área da História, os jornais são reconhecidos como fontes e documentos fundamentais, pois possibilitam compreender a realidade social, histórica e cultural. José D'Assunção Barros (2023) afirma que os periódicos “também produzem opiniões, discursos, análises da realidade que são geradas na sociedade envolvente e a ela retornam” (Barros, 2023, p. 12). Esse projeto destaca-se justamente por ultrapassar os limites da sala de aula e tornar pública uma juventude leitora e atenta, consciente de que a construção do conhecimento não se realiza sem comprometimento, empenho, disciplina, questionamento, dedicação e exercício constante da escrita. Mais do que isso, o projeto dá voz aos jovens.

Como ressaltou o educando Rezende (2026), “O Sagrado Acadêmico foi, assim, um espaço formativo no sentido mais amplo: formou leitores, escritores e jovens pesquisadores conscientes de que o pensamento tem consequência” (Rezende, Jornal Noroeste, 6 de fevereiro de 2026, p. 6-Geral).

Desenvolver uma cultura educacional alicerçada no hábito e no interesse pelo conhecimento intelectual e científico significa compreender que a ciência deve ser integradora: precisa religar saberes fragmentados — natureza, humanidade, cultura e ética — e conduzir o pensamento simples a um pensamento complexo. Como afirma o filósofo Edgar Morin (2005) é necessário considerar duas ilusões sobre o pensamento complexo, a primeira é “[...] é acreditar que a complexidade conduz à eliminação da simplicidade” (Morin, 2005, p.6). A segunda é confundir complexidade com completude. Desenvolver um pensamento complexo, “Trata-se de exercer um pensamento capaz de lidar com o real, de com ele dialogar e negociar” (Morin, 2006, p.6).

Em 2025, esse projeto resultou na primeira edição da obra Sagrado Acadêmico: o pensamento jovem nas Ciências Humanas e nas Linguagens, com artigos orientados pelos educadores Rezende e Lilian Vieira. Um projeto dessa dimensão só se torna possível graças ao empenho conjunto de educadores, direção, coordenação, religiosas e educandos do Colégio Coração de Jesus. Neste ano de 2026, integrarei o Projeto Sagrado Acadêmico, e buscamos nos encaminhar para um possível II Volume, com a intenção de ampliar ainda mais a integração entre as diferentes áreas do conhecimento científico.

Registro, por fim, minha admiração pelo trabalho que vem sendo desenvolvido nesta unidade educacional e desejo contribuir, da melhor forma possível, para o fortalecimento e a continuidade deste belo projeto.

Educadora,
Mariane Rosa Emerenciano da Silva

 

Referências

 

BARROS, José D’Assunção. O jornal como fonte histórica. Petrópolis: Vozes, 2023.

MANNHEIM, Karl. O problema da juventude na sociedade moderna. In: MANNHEIM, Karl. Diagnóstico de nosso tempo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1954. p.45-72

MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 5. ed. Porto Alegre: Sulina, 2005.


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