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O dia em que conheci Florinda Meza


Por: Dr. Felipe Figueira
Data: 26/01/2026
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Eu comecei a assistir ao seriado "Chaves" quando era criança, e, adulto, sigo com o mesmo ânimo, rindo das mesmas piadas. Isso é um atestado da transcendência do que escreveu Roberto Gomes Bolaños, conhecido pela alcunha de Chespirito.

Com o passar dos anos, na verdade, com o transcorrer de pouco tempo de vida, aos 12 anos de idade, me tornei escritor e esse ofício se tornou um dos meus grandes amigos. Um dos ambientes que mais recorro para inspirações, o que é um clichê entre os escritores, é a infância. Para tanto, revisito histórias, filmes, desenhos, pessoas, sons, cheiros e sabores. Eu escrevo não só com a minha mente, mas com o meu corpo. Para manter viva a criança no adulto é que sempre que possível vou atrás dos meus gostos iniciais, adquirindo livros, brinquedos, gibis e o que mais eu conseguir. Nesse sentido tive uma experiência única em 2025: conheci, pessoalmente, Florinda Meza, a Dona Florinda.

E qual foi o contexto dessa experiência? Houve uma série sobre o criador do Chaves, intitulada “Chespirito: Sem Querer Querendo", sendo que uma personagem/pessoa que foi criticada publicamente foi a segunda esposa de Chespirito, no caso, Florinda Meza. Com o intuito de esclarecer ao público brasileiro o que era verdade e o que era mentira na série, a atriz mexicana veio ao Brasil e apresentou um show internacional único com o seguinte nome: "Entre risos e verdades". Admito que a Dona Florinda nunca foi a personagem que mais me fez rir, quanto a isso eu preferia a Pópis e a Chimoltrúfia, interpretadas pela mesma Florinda Meza, mas eu considerava a “mãe do Kiko” forte e vigorosa. Foi com essa impressão, de que encontraria mais verdades do que risos, que me desloquei até a capital paulista. 

Foto: Arquivo pessoal

Adquiri um ingresso que me deu direito a três itens autografados, um deles de minha preferência; ela autografou "Sem querer querendo: memórias", de Bolaños. Para fazer uma "fofalha da gentoca", Florinda não quis, em um primeiro momento, autografar o meu livro porque ela alegou que era parte dos produtos oficiais do Grupo Chespirito, e, como é de notório saber, há uma disputa entre os herdeiros de Bolaños e a "Valentona do 14". Eu, que não tenho nada a ver com isso, pedi o autógrafo mesmo assim e o recebi.

É certo que o que mais valeu no evento foi ver a icônica personagem, pois me desloquei 700 quilômetros para isso, mas foi igualmente interessante conhecer pessoas de cinco, vinte, quarenta e oitenta anos que ainda apreciavam a transcendência criada por Chespirito. Essa é a beleza da arte.

Dr. Felipe Figueira

Felipe Figueira é doutor em Educação e pós-doutor em História. Professor de História e Pedagogia no Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Paranavaí.


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