Igreja Presbiteriana do Brasil realiza a 41ª Reunião Ordinária do Supremo Concílio em Manaus
Por Sem. Fernando Razente
Entre os dias 26 de julho e 2 de agosto de 2026, a cidade de Manaus (AM) sediou a 41ª Reunião Ordinária do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (SC/IPB), a instância máxima de deliberação da denominação. O encontro reuniu diversos representantes, entre ministros e presbíteros, enviados pelos presbitérios de todas as regiões do país, para analisar e deliberar sobre temas de natureza doutrinária, constitucional, administrativa, missionária e disciplinar.
A reunião do Supremo Concílio expressa o modelo de governo presbiteriano representativo adotado pela IPB. Nesse sistema, a autoridade eclesiástica é exercida por meio de concílios formados por presbíteros. A igreja local é dirigida pelo Conselho de Presbíteros; os Conselhos se organizam em Presbitérios; os Presbitérios formam os Sínodos; e estes são representados no Supremo Concílio, que funciona como a Assembleia Geral da denominação.
A representação no Supremo Concílio ocorre por meio de deputados eleitos previamente pelos presbitérios, compostos por ministros e presbíteros regentes, garantindo a participação das diversas regiões e igrejas federadas. Durante a reunião, centenas de documentos são distribuídos para análise de comissões permanentes e temporárias, que avaliam os assuntos, elaboram pareceres e encaminham suas recomendações ao plenário para discussão e votação.
De acordo com a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, as decisões do Supremo Concílio possuem caráter normativo para a denominação, orientando a atuação de Conselhos, Presbitérios, Sínodos, pastores e membros de igrejas locais, com o objetivo de preservar a unidade doutrinária, administrativa e disciplinar da Igreja.
Nova Mesa do Supremo Concílio
Entre as principais decisões da reunião esteve a eleição do Rev. Juarez Marcondes Filho, da Igreja Presbiteriana Central de Curitiba, para a presidência da Mesa do Supremo Concílio. A nova liderança passa a conduzir os trabalhos administrativos e representativos da denominação.

Principais deliberações
Entre os assuntos de maior repercussão analisados pelo Supremo Concílio, destacam-se:
- Movimento Legendários: o Supremo Concílio declarou incompatibilidade do movimento com os princípios confessionais da IPB, reconhecendo o movimento como pragmático, antropocêntrico, neopentecostal, depende de metodologia experiencial listas e não bíblico, recomendando que oficiais e membros da denominação não promovam ou participem da iniciativa.
- Diaconato feminino: foi rejeitada a proposta de ordenação de diaconisas, mantendo-se a compreensão histórica e constitucional da IPB sobre o exercício do ofício diaconal restrito a homens qualificados.
- Participação feminina nos cultos públicos: foram reafirmadas decisões anteriores da denominação sobre o tema, proibindo a pregação feminina em cultos solenes, mantendo o entendimento bíblico e confessional.
- Participação da IPB em eventos carnavalescos: foram estabelecidas orientações declarando a inconveniência e incompatibilidade da presença institucional da denominação em manifestações carnavalescas ou de natureza similar.
- Maledicência digital: foi aprovada a tipificação de práticas de difamação, ataques e disseminação irresponsável de informações no ambiente digital como matéria disciplinar, reforçando a responsabilidade cristã no uso das redes sociais.
- Marxismo: foram reafirmadas posições doutrinárias da denominação quanto à incompatibilidade entre os pressupostos do marxismo e a cosmovisão bíblica e confessional da IPB.
- Outras denominações religiosas: foram apreciadas questões doutrinárias relacionadas a grupos religiosos como a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Mundial do Poder de Deus. Após análise de seus ensinamentos à luz da interpretação bíblica e dos documentos confessionais da Igreja Presbiteriana do Brasil, tais grupos foram oficialmente identificados como seitas pela denominação.
Encerramento e continuidade dos trabalhos
Ao final da 41ª Reunião Ordinária, parte dos documentos permaneceu em tramitação para análise e conclusão posterior. Por essa razão, foi convocada uma Reunião Extraordinária do Supremo Concílio (RE) para finalizar a apreciação de matérias pendentes. As decisões oficiais serão passarão a integrar a orientação administrativa, doutrinária e disciplinar da Igreja Presbiteriana do Brasil, servindo como referência para seus concílios e igrejas federadas nos próximos anos.
A 41ª Reunião Ordinária reafirmou o papel do Supremo Concílio como instrumento de unidade e governo representativo da IPB, demonstrando a dinâmica conciliar de uma igreja que busca deliberar coletivamente sobre os desafios contemporâneos à luz de sua identidade bíblica e confessional.

