Entre flores e espinhos
Caros leitores. Estamos vivendo um momento importantíssimo em nosso país. Estamos em um período eleitoral, quando cada cidadão é chamado a escolher aqueles que irão representá-lo e tomar decisões que poderão impactar a vida de toda a população. Não quero aqui dizer quem está certo ou errado. Quero apenas refletir sobre a importância de nossas escolhas.
Vocês foram às urnas no último domingo para depositar seu voto? Escolheram aquele candidato que, de alguma maneira, conseguiu convencê-los de que seria a melhor opção para o futuro?
Esse é um momento muito importante na história de nosso país. Entretanto, observamos que mais de 33 milhões de brasileiros, aproximadamente 21,6% daqueles que poderiam votar, não compareceram às urnas para dizer o que pensavam e o que desejavam para o futuro do Brasil, de seus filhos e de seus netos.
Podemos pensar que essas pessoas, ao não exercerem o direito de votar, permitiram que outras escolhessem por elas os caminhos que o país deverá seguir. Muitos dizem que não gostam de política. Mas será que podemos simplesmente nos afastar dela? Quando deixamos de participar, alguém participa em nosso lugar.
É aí que podemos compreender o significado do título: “Entre flores e espinhos”.
A nós foi concedido o livre-arbítrio, essa capacidade de escolher os caminhos que desejamos trilhar. Podemos escolher entre flores e espinhos. Podemos plantar sementes de esperança ou permitir que os espinhos tomem conta do campo.
Trazendo essa reflexão para o momento eleitoral, vivemos em uma democracia e devemos valorizar essa condição. Esperamos que ela continue e que nunca retornem períodos de nosso passado em que o direito de escolha foi retirado de tantas pessoas.
Por isso, precisamos utilizar o livre-arbítrio com consciência. Escolher não deveria ser apenas seguir opiniões, discursos ou paixões. Escolher deveria significar analisar, pensar e procurar aquilo que acreditamos ser melhor para nossa sociedade.
Jesus, há mais de dois mil anos, através da Parábola do Semeador, já nos ensinava algo semelhante quando falou sobre o processo de semear. Algumas sementes caíram entre espinhos e foram sufocadas. Outras encontraram terra fértil, germinaram, cresceram e produziram frutos.
Talvez nossa sociedade também seja esse campo. As sementes podem representar nossas escolhas, nossas atitudes e nossos pensamentos. Quando plantamos ódio, intolerância e violência, podemos colher conflitos. Quando plantamos respeito, diálogo, paz e esperança, podemos produzir frutos capazes de alimentar muitas outras pessoas.
Jesus não pregava a violência, as brigas ou as contendas. Pregava a paz, a harmonia, o amor e a irmandade. Existe uma passagem bíblica em Mateus 26,52 que nos traz uma profunda reflexão: “Guarde a espada na bainha. Pois todos os que usam a espada, pela espada morrerão.”
Em uma democracia, precisamos aprender também a aceitar o resultado das urnas. Cada cidadão teve a oportunidade de escolher. O voto é uma expressão do livre-arbítrio. Podemos não concordar com a escolha da maioria. Podemos continuar acreditando em nossas próprias convicções. Mas precisamos respeitar o resultado e, acima de tudo, respeitar aqueles que pensam diferente.
Afinal, a democracia também é construída entre flores e espinhos. Cabe a cada um de nós decidir o que deseja plantar. E, principalmente, que nossas escolhas de hoje possam produzir bons frutos para aqueles que ainda virão. O verdadeiro desafio começa depois das urnas: respeitar, dialogar e continuar construindo como irmãos que somos.
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