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Entre duas avenidas, uma rua


Por: Jacilene Cruz
Data: 03/08/2026
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Há várias formas de se lê(ver) uma cidade. Posso partir dos prédios históricos, e dizer que a cidade respeita ou não sua história. Pensar no cuidado e limpeza das praças, ruas e jardins, e não beber um copo d’água sequer na casa de quem a governa. As comparações podem ser muitas, basta a ponta do fio, para desenrolar o rolo inteiro.

Esses dias, precisei de uma luminária flexível para fazer as leituras do doutorado à noite. Sem querer contar vantagem, elas têm me acompanhado até na cama. Às vezes me ninam, outras, muitas outras, levam o deus do sono para longe, longe muito longe.

Como eu ia dizendo, precisei de uma luminária, como não achei pelo Centro e seu derredor, fui até um comércio mais afastado. Aí cruzei uma linha importante – uma cisão. Há cidades que se dividem em Alta e Baixa, outras Antiga e Nova. Devem existir outras dicotômicas nomenclaturas, ou talvez sejam só essas mesmo. Porém, o fato é que Boa Vista tem literalmente uma faixa bem marcante: antes e depois da avenida Venezuela. Antigamente, essa marcação era o extremo da cidade, depois dela, só havia o mato grosso, a mata virgem, ou o puro e bem característico lavrado roraimense.

Hoje há casas e mais casas, além do comércio frenético

Pois é, fui atrás de tão necessária e urgente iluminação. Segui por uma avenida, quero dizer, por uma subavenida (tá valendo neologismo), pois tudo que se situa após a avenida Venezuela (que se sobrepõe a BR 174) é tratado com desdém e desprezo pelos governantes e os que moldam a opinião pública.

De repente a já esburacada avenida ficou estreita e com mais e maiores buracos. Olhei para a placa no muro e li que se tratava de uma rua. Poucos metros depois, voltou a ficar larga e com menos “declives”. Li outra placa,  já era “avenida” novamente.

Foi aí que, sem muito esforço, conclui: rua é um espaço esburacado entre avenidas. Se se situar na região periférica, a rua (ou subrua) é um espaço praticamente intrafegável, entre duas subavenidas.

Por aquelas bandas esquecidas, ainda insistem em crescer o mato grosso que mais parece mata virgem.

Antes que eu esqueça, encontrei a luminária.

 

Jacilene Cruz


Anuncie com Jornal Noroeste
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