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Depois de 37 anos, um retorno


Por: Dr. Felipe Figueira
Data: 27/08/2026
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Algo que eu sempre tive curiosidade era de voltar à rua da minha primeira casa, no Bairro Country, em Cascavel. A minha mãe sempre me disse que, apesar de ser um bairro nobre, a nossa casa era uma tapera. Eu sempre imaginei como seria a minha casa, a rua e a vizinhança. Porém, essa curiosidade só foi sanada 37 anos depois que eu saí de Cascavel.

Em julho de 2026 meu amigo Itamar Sateles de Sá, que é professor no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), no campus de São Carlos, me convidou para ir em sistema de bate-volta à sua casa e eu aceitei. Se tratava de uma viagem de final de semana, para rodar entre ida e volta 1200 quilômetros, e minha mãe foi junto. No caminho eu disse ao meu amigo, que estava em Paranavaí e precisava buscar seu outro carro no oeste catarinense:

- Vamos visitar a rua onde eu nasci?

Ele, tão animado com viagens quanto minha mãe e eu, aceitou. Desviamos um pouco a rota e fomos para o famoso bairro. De imediato me impressionei com a vista, com a infraestrutura, com as ruas e com as casas. Minha mãe se lembrava do local e a primeira rua que acessamos foi a da minha primeira casa, que, todavia, não existia mais: uma tapera não combinava com o local. Porém, a vizinhança seguia semelhante: as mansões feitas há décadas foram construídas para sobreviver por milênios. Enquanto eu avistava o lugar que eu habitei pela primeira vez eu pensava:

- Tudo começou aqui. Eis uma parte de mim.

O que para muitas pessoas é fácil e até banal, porque muitas pessoas não saíram de suas cidades ou de suas casas de origem, para mim levou quase quatro décadas, mas a sensação era a de que eu estava diante de mais uma peça do grande quebra-cabeças chamado Felipe Figueira.

Dr. Felipe Figueira

Felipe Figueira é doutor em Educação e pós-doutor em História. Professor de História e Pedagogia no Instituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Paranavaí.


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