A generic square placeholder image with rounded corners in a figure.


Crônica de dois aniversários


Por: Jacilene Cruz
Data: 29/04/2026
  • Compartilhar:

Comecei a escrever esse texto em abril do ano passado, mas engavetei. Agora, um ano depois, fiz umas adaptações e divido-a com vocês, amigos-amores!

 

 Vinícius de Morais escreveu Soneto de Aniversário. Eu resolvi pegar emprestada a ideia-título e escrever sobre esse dia em que se comemora o nascimento. A razão para que minha escrita circule nesses meandros é porque no dia 10 de abril último, completei 50 voltas ao redor do sol.

O circuito pelo qual anualmente passo, faz com que o passado sempre volte. Quem tem família por perto, sabe que a infância se reapresenta com força. As recordações trazem sempre uma mistura de alegria e tristeza. Nostalgia que leva gota-a-gota ao riso.

Não rememorarei histórias de minha infância. Sei que elas dão leveza, mas deixarei para outras mal traçadas linhas. A leveza deste ficará por conta da mistura de palavras e sons que eu gosto de trazer por aqui.

Estiveram aqui em casa, numa noite de sexta-feira sem alarde, oito pessoas. Suponho que todos sejam meus amigos, certo? Pensando sobre isso, cheguei na questão da questão: quantos degraus separam o amor da amizade?

Se eu seguir uma linha caetanesca, serei forçada a afirmar que a amizade é maior que o amor. Foi isso que o velho Caetano disse:

 

Gosto do Pessoa na pessoa

Da rosa no Rosa

E sei que a poesia está para a prosa

Assim como o amor está para a amizade

E quem há de negar que esta lhe é superior?[1]

 

A Língua de Caetano diz que a amizade é maior que o amor. Mas, sinceramente,  não quero me envolver nem os envolver em dilemas quase maniqueístas. Essa crônica é de aniversário, vamos congraçar.

O que prefiro mesmo é sorver, como a um sorvete, o que pontuou Djavan: “Nossa velha amizade nasceu / De uma luz que acendeu / Aos olhos de abril / Com cuidado e espanto eu te olhei / No entanto você sorriu [...][2]

São pequeninos e poucos degraus que separam o amor da amizade. Na verdade, quando eu olhei de perto, vi que ambos se ligam pela palavra afeição. Ou seja, tanto o amor quanto a amizade, são no fundo, afeiçoamentos.  

- Ufa, que alívio!

Os conceitos me trouxeram bons sentimentos, estive, no meu aniversário, com amigos-amores. E é isso que importa.

 



[1] Língua, música de Caetano Veloso. Disponível em: http://letras.mus.br/caetano-veloso/44738/

[2] Nobreza, música de Djavan. Disponível em: https://www.letras.mus.br/djavan/45539/

Jacilene Cruz


Anuncie com Jornal Noroeste
A caption for the above image.


Veja Também


smartphone

Acesse o melhor conteúdo jornalístico da região através do seu dispositivos, tablets, celulares e televisores.