A generic square placeholder image with rounded corners in a figure.


Cristianismo, Judaísmo e a questão de Israel


Por: Alex Fernandes França
Data: 29/02/2024
  • Compartilhar:

No domingo (25), durante um evento na Avenida Paulista, em São Paulo um vídeo viralizou nas redes sociais, evidenciando a associação equivocada entre cristianismo e Israel. Três mulheres, segurando a bandeira de Israel, justificaram sua ação alegando serem cristãs, gerando debate sobre a compreensão inadequada de alguns cristãos em relação a Israel. Esta confusão revela a falta de entendimento sobre as diferenças fundamentais entre judaísmo e cristianismo, bem como entre a Israel bíblica e a Israel histórica.

A interpretação distorcida das Escrituras, muitas vezes impulsionada por líderes religiosos com forte envolvimento político, contribui para essa confusão. É essencial discernir entre a Israel bíblica, que representa o povo escolhido por Deus, e a Israel histórica, o Estado formado em 1948. A associação entre cristianismo e Israel, principalmente por vertentes neopentecostais, muitas vezes negligencia a compreensão correta dessas diferenças.

A substituição de textos do Novo Testamento pelos ensinamentos da Torá judaica é uma tendência crescente entre novos cristãos. Esse fenômeno, aliado à falta de discernimento sobre as nuances das escrituras sagradas, contribui para a perpetuação de equívocos sobre a relação entre cristianismo e Israel.

No entanto, a diferença crucial entre essas duas religiões remonta à recusa do judaísmo em aceitar Jesus Cristo como Messias. Os ensinamentos de Cristo são desconsiderados, e ele é visto como um falso profeta. Esse desacordo teológico é essencial para entender por que alguns judeus rejeitam a associação entre cristianismo e Israel. Os versículos que mencionam que Jesus veio para os seus (Judeus) está em João 1:11-12, na Bíblia Sagrada, que diz: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome." Essa passagem enfatiza não apenas a rejeição por parte de "os seus", referindo-se aos contemporâneos de Jesus, mas também destaca a oportunidade e o privilégio concedidos àqueles que o recebem, concedendo-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus pela fé em Seu nome.

O Estado de Israel é uma nação reconhecida pela ONU, formada por judeus, muçulmanos e uma minoria de cristãos. O surgimento de Israel, impulsionado pelo movimento sionista no século 20, resultou na declaração da ONU em 1948, que previa a criação de dois estados: Israel e Palestina. Apenas o primeiro se concretizou, contribuindo para as tensões persistentes na região.

A defesa por dois estados independentes, Israel e Palestina, é apoiada por várias nações, incluindo o Brasil. Este posicionamento reflete a necessidade de compreender a complexidade geopolítica e religiosa da região, distanciando-se de interpretações simplificadas e equivocadas que associam automaticamente o cristianismo ao Estado de Israel.

 As pessoas precisam ter uma compreensão mais profunda das diferenças entre judaísmo e cristianismo, assim como entre a Israel bíblica e a Israel histórica. Isso não apenas enriquece o diálogo inter-religioso, mas também contribui para uma análise mais informada das dinâmicas geopolíticas que moldam o Oriente Médio.

 

·       Alex Fernandes França é Administrador de Empresas, Teólogo, Historiador e Mestrando em Ensino pelo PPIFOR – UNESPAR

Alex Fernandes França


Anuncie com Jornal Noroeste
A caption for the above image.


Veja Também


smartphone

Acesse o melhor conteúdo jornalístico da região através do seu dispositivos, tablets, celulares e televisores.