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A evolução do uso da tecnologia ao longo dos anos e nos ambientes escolares


Por: Especial para JN
Data: 26/02/2026
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A tecnologia consolidou-se como elemento estruturante do processo de ensino-aprendizagem na contemporaneidade, redefinindo as dinâmicas escolares e o papel de professores e estudantes. Recursos digitais, plataformas interativas e ambientes virtuais ampliaram o acesso ao conhecimento e modificaram a forma como ele é produzido, compartilhado e assimilado. Contudo, a relação entre tecnologia e educação não é recente: desde as primeiras civilizações, os avanços técnicos transformaram profundamente as maneiras de registrar, transmitir e sistematizar saberes, influenciando diretamente a organização social e cultural de cada período histórico.

Nas sociedades antigas, instrumentos aparentemente simples representaram verdadeiras revoluções educacionais. Na Mesopotâmia, as chamadas “casas das tábuas” formavam escribas por meio da escrita cuneiforme registrada em tabuletas de argila, organizando a administração e preservando a memória cultural. No Egito Antigo, o papiro possibilitou a preservação de registros religiosos, jurídicos e políticos, consolidando uma elite letrada responsável pela manutenção do conhecimento. Esses recursos demonstram que, mesmo em contextos remotos, a tecnologia já desempenhava papel decisivo na estruturação do ensino. Séculos depois, a invenção da prensa de tipos móveis ampliou significativamente a circulação de livros, favorecendo a difusão de ideias, o fortalecimento do pensamento crítico e o surgimento de transformações culturais e educacionais de grande alcance.

Com a Revolução Industrial, no século XIX, a educação passou por um processo de expansão e padronização. A necessidade de formar trabalhadores para uma sociedade industrializada levou à consolidação do ensino em massa, com currículos mais estruturados e organização escolar sistemática. Nesse contexto, instrumentos como o quadro negro simbolizaram a racionalização do espaço pedagógico. Já no século XX, tecnologias como o rádio e a televisão educativa ampliaram o alcance do ensino, democratizando o acesso à informação em regiões afastadas dos grandes centros. Posteriormente, a Revolução da Informática introduziu os computadores no ambiente escolar, inaugurando uma etapa marcada pela digitalização progressiva dos processos educativos e pela ampliação das possibilidades de pesquisa e produção de conhecimento.

No século XXI, a expansão da internet e das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação provocaram transformações ainda mais intensas nos modelos pedagógicos tradicionais. O ensino híbrido, as plataformas virtuais, os recursos multimídia e os ambientes colaborativos redefiniram o espaço da sala de aula, tornando-o mais dinâmico e interativo. O estudante contemporâneo vive em um contexto de hiperconectividade, no qual a informação circula de maneira imediata e abundante. Nesse cenário, o professor deixa de ocupar exclusivamente o papel de transmissor de conteúdos e assume a função de mediador do conhecimento, orientando a seleção crítica das informações e estimulando a construção autônoma do saber.

Entretanto, os avanços tecnológicos também impõem desafios significativos. O uso excessivo de dispositivos digitais pode comprometer a concentração e favorecer aprendizagens superficiais, marcadas pela rapidez e pela fragmentação da informação. A constante exposição a estímulos imediatos tende a reduzir a capacidade de análise aprofundada, exigindo estratégias pedagógicas que promovam foco, reflexão e pensamento crítico. Além disso, persistem desigualdades estruturais no acesso à internet e a equipamentos adequados, o que evidencia que a democratização tecnológica ainda não se concretizou de forma plena em todas as realidades educacionais.

A pandemia da Covid-19 representou um marco decisivo nesse processo de transformação digital. O ensino remoto emergencial tornou as tecnologias indispensáveis para a continuidade das atividades escolares, acelerando mudanças que vinham ocorrendo gradualmente. Esse período revelou tanto o potencial das ferramentas digitais quanto as fragilidades estruturais do sistema educacional, especialmente no que se refere à infraestrutura e à formação docente. Após o retorno às aulas presenciais, consolidou-se um modelo educacional mais híbrido, no qual a tecnologia permanece integrada às práticas pedagógicas de forma permanente.

Diante desse panorama, torna-se evidente que a tecnologia, isoladamente, não garante aprendizagem significativa. Sua eficácia depende de planejamento pedagógico consistente, formação docente adequada e desenvolvimento da autonomia intelectual dos estudantes. A escola contemporânea enfrenta o desafio de equilibrar inovação tecnológica e formação humanizada, assegurando que as ferramentas digitais estejam a serviço do conhecimento e da construção crítica da realidade social.

Assim, os impactos da tecnologia na educação revelam-se complexos e multifacetados. Desde as tabuletas de argila da Antiguidade até as plataformas digitais atuais, cada avanço ampliou possibilidades e transformou práticas, mas também trouxe novas responsabilidades. O desafio contemporâneo não é apenas incorporar tecnologia às escolas, mas utilizá-la de maneira consciente, ética e estratégica, formando sujeitos críticos, autônomos e preparados para atuar em uma sociedade cada vez mais digitalizada e interdependente.

Educando  DAVI PIRENI DA SILVA - 3ª série 2 


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