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Fiep repudia decisão do governo federal de extinguir tributação sobre compras internacionais de até US$ 50


Por: Assessoria de Imprensa
Data: 15/05/2026
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Federação considera que medida terá forte impacto principalmente para o setor de confecções, segundo maior empregador da indústria paranaense

Na cadeia têxtil, do vestuário e de couro, 65% da força de trabalho no Paraná é feminina (Foto: Gelson Bampi)

A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) manifesta profunda preocupação e repudia com veemência a decisão anunciada pelo governo federal de extinguir a tributação incidente sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”. Ao ampliar ainda mais a desigualdade tributária entre fabricantes nacionais e plataformas estrangeiras, a iniciativa representa um duro golpe para a competitividade da indústria brasileira, especialmente para o setor de confecções, um dos maiores geradores de empregos do país.

A indústria nacional já enfrenta um ambiente extremamente adverso, marcado por elevada carga tributária, custos logísticos altos, burocracia excessiva e concorrência internacional muitas vezes baseada em práticas desleais. Em vez de corrigir essas distorções, a medida anunciada pelo governo aprofunda o desequilíbrio ao favorecer produtos importados que chegam ao mercado brasileiro sem suportar a mesma tributação, exigências trabalhistas, ambientais e regulatórias impostas às empresas instaladas no Brasil.

O impacto sobre o setor tende a ser devastador. A cadeia produtiva têxtil, do vestuário e de couro é uma das principais empregadoras da indústria brasileira e possui enorme relevância econômica e social. No Paraná, o segmento responde por mais de 70 mil empregos formais, sendo o segundo maior gerador de empregos da indústria paranaense.

Trata-se de uma atividade fortemente ligada à inclusão produtiva e à geração de renda, especialmente para as mulheres: 65% da força de trabalho do setor no Paraná é feminina, índice muito superior à média dos demais segmentos da indústria de transformação estadual, que é de 34%. Em muitos casos, são mulheres que representam a principal fonte de sustento de suas famílias.

Além disso, acima de 90% das mais de 5 mil indústrias do setor existentes no Paraná são micro e pequenas empresas, que já enfrentam enormes dificuldades para manter suas atividades diante do atual cenário econômico.

A Fiep aponta, ainda, um grande contrassenso na decisão do governo federal, já que a medida terá impacto negativo inclusive na arrecadação pública. Ao mesmo tempo em que, com frequência, aumenta impostos para o setor produtivo brasileiro com o objetivo de equilibrar suas contas, agora o governo abre mão de uma grande fonte de arrecadação, visto que, somente nos primeiros quatro meses de 2026, as compras em plataformas estrangeiras resultaram em uma arrecadação de R$ 1,78 bilhão para os cofres da União.

A Fiep reforça que o setor produtivo brasileiro já é extremamente penalizado por suportar uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo. Medidas como essa, que facilitam a entrada de produtos importados sem a mesma incidência de tributos e custos que recaem sobre a indústria nacional, podem ser fatais para a sobrevivência de inúmeras empresas e para a manutenção de milhares de empregos. O resultado será um forte impacto econômico e social para o Paraná e para o Brasil, comprometendo renda, investimentos, competitividade e desenvolvimento industrial.


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