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Férias de verão exigem atenção redobrada: afogamentos matam 15 pessoas por dia no Brasil


Por: Alex Fernandes França
Data: 13/01/2026
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Dados da Sobrasa mostram que crianças pequenas estão entre as principais vítimas; prevenção e vigilância constante são fundamentais, especialmente em ambientes de água doce.

Balneário Camboriú (SC): Movimento intenso na praia durante o verão reforça a importância de redobrar os cuidados com a segurança na água, especialmente com crianças e em locais sinalizados por guarda-vidas - (Foto: Alex Fernandes França)

Janeiro é sinônimo de férias escolares, calor intenso e famílias em busca de lazer em piscinas, rios, lagos, cachoeiras e praias. Mas esse período também acende um alerta preocupante: os afogamentos. Dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) revelam que, no Brasil, 15 pessoas morrem afogadas diariamente. O afogamento é a principal causa de morte de crianças de 1 a 4 anos e a terceira entre crianças de 5 a 9 anos.

        Segundo a Sobrasa, 55% das mortes por afogamento na faixa etária de 1 a 9 anos ocorrem dentro de residências, muitas vezes em piscinas, baldes ou outros recipientes com água. A entidade reforça que a prevenção é a principal ferramenta para evitar tragédias, sobretudo no verão, quando o uso de ambientes aquáticos aumenta significativamente.

Risco maior longe das praias

Ao contrário do que muitos imaginam, a maioria dos afogamentos não acontece no mar. O secretário-geral da Sobrasa, David Szpilman, destacou que mais de 70% das mortes ocorrem em rios, lagos e represas — ambientes que, geralmente, não contam com guarda-vidas ou pessoas capacitadas para o resgate.

“Nas praias, as pessoas se afogam e, por ter guarda-vidas, acabam sendo salvas. Em água doce isso não acontece, porque não há socorristas treinados. Além disso, muitas mortes ocorrem quando alguém tenta ajudar outra pessoa e acaba morrendo junto”, alertou Szpilman. Ele lembra ainda que rios podem esconder perigos como correntezas fortes e profundidade elevada, que nem sempre são perceptíveis.

Subestimar o perigo pode ser fatal

Outro fator determinante para os afogamentos é a subestimação do risco, inclusive por pessoas que sabem nadar. “Mesmo grandes nadadores podem morrer afogados quando não respeitam seus limites ou quando há uma redução súbita da competência aquática”, explicou Szpilman.

O consumo de álcool agrava ainda mais o cenário. De acordo com a Sobrasa, entre 15% e 18% dos afogamentos com morte estão associados à ingestão de bebidas alcoólicas. “O álcool faz a pessoa perceber menos o risco, superestimar sua capacidade e ainda reduz a coordenação motora de defesa”, completou.

O que fazer em caso de afogamento

Em uma situação de afogamento, a orientação principal é manter a calma, evitar nadar contra a correnteza, boiar e pedir ajuda. “Guarde suas forças para flutuar. Encha o pulmão, tente boiar e espere o socorro”, orienta Szpilman. Em regiões como a Amazônia, onde há altos índices de afogamento, o uso de colete salva-vidas é indispensável, mesmo para quem sabe nadar.

Para quem presencia alguém se afogando, a recomendação é não entrar na água. O correto é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 e lançar objetos que flutuem, como garrafas PET, bolas, pranchas ou até tampas de isopor, para ajudar a vítima a se manter na superfície até a chegada do resgate.

Crianças: vigilância constante salva vidas

Quando se trata de crianças, a regra é clara: nunca tirá-las de vista. Em casa, é fundamental cercar piscinas, esvaziar baldes, limitar o acesso a áreas externas e manter portas fechadas. “Em crianças de 1 a 4 anos, metade dos afogamentos ocorre em piscinas residenciais. A atenção precisa ser máxima, mesmo que não haja piscina”, reforça Szpilman.

Em festas, clubes, hotéis ou sítios, a recomendação é que haja um adulto exclusivamente responsável pela vigilância, com revezamento entre pais ou responsáveis. “Quando todo mundo acha que o outro está olhando, ninguém está”, alerta.

O especialista também desmistifica a falsa sensação de segurança proporcionada pelas aulas de natação. “Uma criança que sabe flutuar na piscina não está protegida em um rio ou no mar. Cada ambiente tem riscos diferentes, e a competência aquática precisa ser superior a esses riscos”, explicou.

Viagens aquáticas pedem planejamento

Com destinos aquáticos entre os preferidos das famílias, o verão concentra 41% dos afogamentos no país, segundo a Sobrasa. Ainda assim, o lazer não precisa ser descartado, desde que haja cuidado e orientação.

A profissional de educação física Maria Carolina Ribeiro destaca que a natação, além de ser uma atividade física completa, contribui para a prevenção de afogamentos. “Ela melhora a resistência física, a respiração e a familiaridade com a água, tanto para crianças quanto para adultos”, afirma.

Já o tenente do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, Luis Felipe Andrade, orienta a optar por locais com guarda-vidas, evitar refeições pesadas antes de entrar na água, não consumir álcool e manter a água, sempre que possível, no máximo até a altura da cintura.

Outras recomendações incluem o uso de colete salva-vidas em passeios de barco, nadar sempre acompanhado, observar a profundidade antes de entrar na água e, no caso das crianças, utilizar boias tipo colete, roupas leves e cores chamativas, que facilitam a visualização.

Em um período marcado pelo lazer e pelo convívio familiar, a atenção aos riscos pode fazer a diferença entre boas lembranças e tragédias evitáveis. Prevenção, informação e vigilância continuam sendo as melhores formas de salvar vidas.

*Com informações da Agência Brasil.


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