Legado de Nikola Tesla inspira modelo de cidades mais humanas, inteligentes e sustentáveis
Especialista Boris Petrovic defende que tecnologia deve servir para melhorar a vida das pessoas e aproximar a cidade da natureza
Quando se fala em cidade do futuro, a imagem que costuma surgir é a de carros voadores, inteligência artificial em todos os serviços públicos e edifícios altamente tecnológicos. Mas, para o pesquisador e presidente do Instituto Nikola Tesla, Boris Petrovic, a verdadeira pergunta não é como será essa cidade, mas quando esse futuro começa. Ele garante que o futuro é hoje. “Trabalhamos para melhorar a qualidade de vida das pessoas e aliviar o sofrimento humano. A tecnologia tem que servir para isso", afirma Petrovic.
Petrovic, um dos convidados do CPIIC-2026, que ocorreu em Santo André (SP), nos dias 09 e 10 de junho lembra que muitos dos avanços que parecem modernos têm origem em ideias concebidas há mais de um século pelo inventor sérvio Nikola Tesla, considerado um dos maiores gênios da história da ciência. Foi Tesla quem desenvolveu as bases da corrente alternada, sistema utilizado até hoje para distribuição de energia elétrica em residências, indústrias, transformadores e usinas hidrelétricas em todo o mundo. "Quando você acende a luz da sua casa, está usando conceitos desenvolvidos por Tesla”, contou.
Fundado para preservar e difundir esse conhecimento, o Instituto Nikola Tesla atua na promoção da ciência, da inovação e de soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável. A instituição busca aplicar os princípios defendidos pelo inventor, especialmente aqueles relacionados ao uso inteligente da energia e ao avanço tecnológico como ferramenta para o bem-estar coletivo.
Segundo Petrovic, uma das visões mais ousadas de Tesla era criar sistemas capazes de distribuir energia e informação de forma acessível para toda a humanidade. Embora parte desses projetos nunca tenha sido totalmente concretizada, a revolução das telecomunicações mostra que alguns desses sonhos se tornaram realidade. "Conversamos por celular com alguém que está a milhares de quilômetros de distância praticamente sem custo. Essa transmissão de informação em larga escala era algo que Tesla imaginava muito antes da tecnologia permitir isso", observou.
Para o pesquisador, no entanto, o avanço tecnológico precisa ser acompanhado de responsabilidade. Ele alertou para o risco de uma sociedade excessivamente dependente das máquinas e desconectada das relações humanas. "A tecnologia existe para aliviar as dores da vida, não para aprisionar as pessoas. Não podemos deixar que ela substitua nossa capacidade de pensar, criar e conviver", enfatizou.
Outro ponto defendido por Petrovic é a necessidade de integrar as cidades à natureza. Na avaliação dele, modelos urbanos baseados apenas em concreto, asfalto e consumo intensivo de recursos naturais já não respondem aos desafios do século XXI. "Nós fazemos parte da natureza. A cidade também precisa fazer parte dela. Quando cobrimos tudo com asfalto e concreto, alteramos processos naturais importantes. Precisamos recuperar o verde e pensar em sustentabilidade de forma verdadeira", afirmou.
A proposta passa por conceitos que unem tecnologia, eficiência energética e inspiração nos sistemas naturais, criando ambientes urbanos mais equilibrados e resilientes. Para Petrovic, essa visão pode ser resumida em uma única palavra: biônica. Mais do que reunir equipamentos inteligentes, a cidade do futuro será aquela que consegue unir inovação, sustentabilidade e qualidade de vida. Se depender das ideias defendidas pelo Instituto Nikola Tesla, esse futuro já começou a ser construído.

