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Criminosos exploram o sistema free flow com sites falsos e mensagens de ameaça para aplicar golpes em motoristas


Por: Alex Fernandes França
Data: 06/04/2026
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Cobranças fraudulentas por e-mail, SMS e aplicativos induzem condutores a pagamentos indevidos, enquanto autoridades e concessionárias reforçam alertas sobre a necessidade de usar apenas canais oficiais.

Pórtico instalado em Presidente Castelo Branco ainda não iniciou a cobrança de pedágio no sistema free flow. O trecho, sob responsabilidade da concessionária EPR, aguarda o início da operação, enquanto motoristas são orientados a redobrar a atenção diante de golpes que utilizam a nova modalidade de cobrança como isca  - Foto: Alex Fernandes França/jornalnoroeste.com  

A modernização do sistema de cobrança de pedágios, com a implantação do modelo free flow — que elimina praças físicas e permite a passagem direta dos veículos — tem sido acompanhada por um crescimento preocupante de golpes virtuais contra motoristas. Estelionatários estão utilizando a novidade como pretexto para aplicar fraudes, gerando cobranças indevidas e induzindo vítimas a realizar pagamentos inexistentes.

O golpe geralmente ocorre por meio de e-mails, mensagens de WhatsApp, SMS ou até mesmo por sites falsos que simulam plataformas oficiais de concessionárias. Nessas abordagens, os criminosos costumam adotar um tom de urgência, alertando sobre supostas pendências de pedágio e ameaçando com multas, pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e até restrições no veículo caso o pagamento não seja realizado rapidamente.

Concessionárias de rodovias, especialmente no Paraná, já emitiram alertas aos usuários, reforçando que não enviam notificações de cobrança por esses meios. No sistema eletrônico, a leitura da placa — feita por câmeras com tecnologia OCR — registra automaticamente a passagem do veículo. Motoristas que não utilizam TAG ou aplicativos devem acessar diretamente os canais oficiais da concessionária responsável e regularizar o pagamento em até 30 dias. Após esse prazo, a infração é considerada grave, com multa superior a R$ 190 e acréscimo de cinco pontos na CNH.

A prática criminosa não se limita ao Paraná. Estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que também adotaram o sistema, registram casos semelhantes. Segundo a empresa de segurança digital Kaspersky, já existem mais de 50 sites falsos voltados exclusivamente à cobrança fraudulenta de pedágios eletrônicos, lesando centenas de consumidores em todo o país.

Como o golpe funciona

O esquema segue um padrão já conhecido em outras fraudes digitais, como aquelas que utilizam o nome de órgãos de trânsito. Ao buscar na internet termos como “pagar pedágio free flow”, o usuário pode ser direcionado a links patrocinados que levam a páginas falsas. Em outros casos, o contato parte diretamente dos criminosos, com envio de mensagens contendo links para “regularização imediata”.

Ao acessar esses sites, o motorista é induzido a inserir dados como placa, modelo do veículo e cidade. Em seguida, a plataforma gera boletos ou chaves Pix para pagamento instantâneo. Por já estar habituado a esse tipo de transação, o usuário muitas vezes não confere os dados do destinatário e acaba transferindo o valor para contas utilizadas por golpistas, conhecidas como “contas laranja”.

O prejuízo costuma ser percebido posteriormente, quando surgem notificações reais ou a ausência de baixa do suposto débito. A recuperação do dinheiro é considerada difícil, já que os criminosos mudam rapidamente de domínios e dados cadastrais.

Alerta das autoridades

A Agência Nacional de Transportes Terrestres reforça que não existe um sistema único nacional para consulta de débitos de pedágio free flow. Cada rodovia possui sua própria concessionária e canais oficiais de atendimento. O diretor-geral do órgão, Guilherme Theo Sampaio, orienta que motoristas utilizem exclusivamente essas plataformas para verificar e quitar tarifas.

O órgão também alerta que não há envio automático de boletos por correio ou mensagens, tampouco promoções, descontos emergenciais ou ameaças imediatas de penalidade. A infração por evasão de pedágio segue regras fixas previstas no Código de Trânsito Brasileiro.

Relato de quem quase caiu

Um motorista ouvido pela reportagem relatou o susto ao receber uma mensagem fraudulenta em seu e-mail, direcionada à caixa de spam. Mesmo em uma região onde a cobrança ainda não havia sido iniciada, o tom alarmista da mensagem causou preocupação.

Segundo ele, os criminosos utilizam estratégias de medo e coação psicológica, mencionando multas, pontos na CNH e comunicação ao Detran para pressionar a vítima a agir rapidamente, sem checar a veracidade das informações.

Como se proteger

Especialistas em direito do consumidor e segurança digital recomendam atenção redobrada durante a navegação. Verificar se o site possui protocolo de segurança “https://” e conferir o endereço eletrônico são medidas essenciais. Além disso, é fundamental evitar clicar em links recebidos por mensagens ou anúncios suspeitos.

Outra orientação importante é acessar diretamente o site oficial da concessionária responsável pelo trecho percorrido. No momento do pagamento, deve-se conferir cuidadosamente o nome do destinatário, especialmente em transações via Pix. Caso o recebedor seja uma pessoa física desconhecida ou empresa com nome divergente, a recomendação é interromper imediatamente a operação.

O que fazer em caso de golpe

Se o motorista perceber que realizou um pagamento indevido, a orientação é entrar em contato imediato com o banco para tentar bloquear a transação. Também é recomendado registrar um boletim de ocorrência e comunicar a concessionária da rodovia, além de procurar o Procon para formalizar a denúncia.

A troca de senhas bancárias e o monitoramento das movimentações financeiras nos dias seguintes são medidas essenciais para evitar novos prejuízos.

Pagamento seguro e prevenção

As concessionárias oferecem canais próprios para quitação das tarifas, incluindo sites oficiais, totens de autoatendimento e pontos físicos credenciados, como postos de combustível e restaurantes. O uso de TAGs automáticas, além de mais prático, é considerado mais seguro por reduzir a necessidade de pagamentos manuais.

Com o avanço do sistema free flow no país, especialistas são unânimes: informação e cautela são as principais ferramentas para evitar cair em golpes cada vez mais sofisticados e preservar a segurança financeira dos motoristas.


Anuncie com Jornal Noroeste
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