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Cientistas ligados ao Grupo Roche recebem Prêmio Lasker por descoberta relacionada à hemofilia A


Por: Assessoria de Imprensa
Data: 02/10/2026
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Reconhecimento destaca o desenvolvimento de um anticorpo capaz de reproduzir a função do Fator VIII na coagulação do sangue

Foto: Divulgação

Três cientistas da Chugai Pharmaceutical, empresa do Grupo Roche, foram reconhecidos com o Prêmio Lasker~DeBakey de Pesquisa Médica Clínica de 2026, uma das principais premiações internacionais na área científica.

O Dr. Kunihiro Hattori, o Dr. Takehisa Kitazawa e o Dr. Tomoyuki Igawa receberam o prêmio pela invenção de um anticorpo biespecífico capaz de conectar os fatores IX e X da coagulação e reproduzir a função do Fator VIII, uma proteína essencial para a coagulação do sangue e que está ausente ou presente em quantidade insuficiente em pessoas com hemofilia A.

Para entender a importância da descoberta, é preciso considerar o funcionamento da coagulação. Quando ocorre um sangramento, diferentes proteínas do sangue atuam em sequência para formar um coágulo e interromper a perda de sangue. O Fator VIII tem um papel importante nesse processo porque ajuda os fatores IX e X a trabalharem juntos. Na hemofilia A, a deficiência do Fator VIII dificulta esse mecanismo e aumenta o risco de sangramentos.

Os pesquisadores desenvolveram um anticorpo capaz de desempenhar uma função semelhante à do Fator VIII: aproximar os fatores IX e X para que eles possam atuar juntos e contribuir para a formação do coágulo. O trabalho começou com a avaliação de milhares de combinações de anticorpos e passou por diferentes etapas de pesquisa até a identificação, em 2010, do anticorpo que se mostrou capaz de reproduzir essa função. Estudos clínicos realizados posteriormente avaliaram essa abordagem para a prevenção de sangramentos em pessoas com hemofilia A, incluindo aquelas que desenvolveram inibidores contra o Fator VIII.

“O reconhecimento desses pesquisadores pelo Prêmio Lasker evidencia o papel da pesquisa clínica na evolução do cuidado em doenças raras. Na hemofilia A, décadas de estudos sobre os mecanismos da coagulação foram fundamentais para aprofundar a compreensão da doença e orientar a busca por novas abordagens. Esse percurso reforça a importância de investimentos contínuos em pesquisa, que permitem avaliar, de forma rigorosa, a segurança e a eficácia de novas estratégias e gerar evidências que contribuam para aprimorar o cuidado das pessoas que vivem com a doença”, afirma Michelle França, diretora médica da Roche Brasil.

Sobre a hemofilia A

A hemofilia é uma doença rara e hereditária que afeta a capacidade do sangue de coagular adequadamente. As pessoas com a condição podem apresentar sangramentos espontâneos ou prolongados após traumas. Existem dois tipos principais: hemofilia A, causada pela deficiência do Fator VIII, e hemofilia B, relacionada à deficiência do Fator IX. A hemofilia A é a forma mais comum e representa cerca de 80% a 85% dos casos.

Segundo a pesquisa anual da Federação Mundial de Hemofilia (WFH), estima-se que 1,125 milhão de pessoas tenham hemofilia no mundo, embora uma parcela significativa ainda não tenha diagnóstico. Na hemofilia A, a gravidade varia de acordo com a quantidade de Fator VIII presente no sangue e pode ser classificada como leve, moderada ou grave. Os sangramentos podem atingir principalmente articulações, músculos e outros tecidos e, quando não tratados adequadamente, podem causar danos progressivos, comprometer a mobilidade e afetar a qualidade de vida.


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