Ansiedade Infantil: Psicóloga alerta para os sinais e destaca o papel da família no acolhimento emocional
Psicóloga e colunista do Jornal Noroeste, Luiza Graziela Santos Dias aborda os sinais da ansiedade infantil, os cuidados necessários e a importância da atuação familiar no enfrentamento do problema.
A infância é uma fase de descobertas, aprendizados e muita emoção. Mas nem sempre o universo infantil é feito só de alegrias. A ansiedade, muitas vezes vista como algo exclusivamente adulto, também pode se manifestar de forma intensa entre os pequenos. Para compreender melhor essa realidade, conversamos com a psicóloga Luiza Graziela Santos Dias (CRP 08/24954), titular da Coluna “Da infância e adolescência” do Jornal Noroeste e que atua na área da saúde mental infantil e alerta: “A ansiedade infantil é uma vivência emocional complexa que merece acolhimento e cuidado”.
Jornal Noroeste – Ansiedade é uma palavra comum nos tempos atuais, mas muitas pessoas não imaginam que isso também afeta as crianças. Como identificar a ansiedade infantil?
Luiza Graziela – A ansiedade em crianças pode se apresentar de diversas formas e, por isso, é essencial que os adultos estejam atentos aos sinais, que podem ser mais sutis ou até bastante evidentes. Entre os sintomas mais frequentes estão a preocupação excessiva, especialmente com questões cotidianas como ir à escola ou lidar com amizades, além de sintomas físicos recorrentes, como dores de cabeça, estômago, náuseas e até cansaço sem explicação médica.
JN – Há também mudanças no comportamento?
Luiza Graziela – Sim, e essas mudanças podem ser confundidas com birra ou mau comportamento. A criança ansiosa pode demonstrar irritabilidade e alterações de humor repentinas, mesmo diante de situações que antes eram bem toleradas. Também é comum o aparecimento de medos intensos e irracionais, como o medo de se separar dos pais, de ir à escola ou de enfrentar novas experiências.
JN – A ansiedade também pode afetar o sono e a alimentação?
Luiza Graziela – Com certeza. Crianças com ansiedade frequentemente apresentam problemas de sono, como dificuldade para dormir, pesadelos frequentes ou um sono muito agitado. Além disso, ocorrem alterações no apetite, tanto com aumento exagerado quanto com perda de interesse pela alimentação. Esses são sinais importantes que merecem atenção.
JN – Quando os pais percebem esses comportamentos, qual o melhor caminho?
Luiza Graziela – Buscar ajuda profissional é fundamental. Muitos pais não sabem como lidar e acabam agravando a situação sem perceber. Um acompanhamento com psicólogo infantil contribui para o reconhecimento e o manejo da ansiedade, evitando que ela se consolide e evolua para quadros mais severos. Além disso, a terapia ajuda a desenvolver habilidades sociais e emocionais que a criança levará para toda a vida.
JN – O ambiente familiar influencia nesse processo?
Luiza Graziela – Muito! O papel da família é essencial na regulação emocional da criança. Acolher, validar os sentimentos e manter um ambiente seguro e de diálogo é um diferencial enorme. Adote uma postura empática diante da ansiedade dos pequenos, mesmo que aquilo que eles sentem pareça pequeno para os adultos. Um lar onde a criança se sente ouvida e acolhida contribui significativamente para o enfrentamento da ansiedade.
JN – Existem práticas que os pais podem adotar no dia a dia?
Luiza Graziela – Sim! Algumas atividades lúdicas ajudam muito nesse processo. A contação de histórias que abordam emoções e dificuldades, os jogos simbólicos com base na fala e na expressão e o uso da arte – como desenhos, colagens e pintura – são ferramentas incríveis para ajudar a criança a nomear e entender seus sentimentos. Essas práticas também estreitam o vínculo afetivo entre pais e filhos.
JN – Por fim, que mensagem você deixaria para os pais e responsáveis?
Luiza Graziela – Cada criança é única, e a forma como ela expressa sua ansiedade também será. Por isso, os adultos precisam estar atentos às particularidades de seus filhos, mantendo o olhar atento, o ouvido sensível e o coração aberto. A infância é o alicerce da vida emocional, e cuidar da saúde mental desde cedo é um gesto de amor que gera frutos para toda a vida.
Ansiedade infantil não é frescura, é um pedido de ajuda em forma de comportamento. E como nos lembra a psicóloga Luiza Graziela, a chave para lidar com ela está no acolhimento, na empatia e na escuta ativa. Em tempos de pressa e de tantas exigências, desacelerar e observar as emoções das crianças pode ser o primeiro passo para um desenvolvimento emocional mais saudável e equilibrado.

