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Violência contra a mulher vai muito além da agressão física; NoroCast coloca o tema em debate com a Polícia Militar


Por: Alex Fernandes França
Data: 17/08/2026
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Soldado Bárbara Buzignani Gomes e Cabo Marcos de Lima Santos participam de episódio especial sobre prevenção, denúncia, ciclo da violência e os 20 anos da Lei Maria da Penha.

Os convidados do NoroCast, Soldado Bárbara Campos Buzignani Gomes e Cabo Marcos de Lima Santos, da Polícia Militar do Paraná, ao lado dos apresentadores Alex Fernandes França e José Antonio Costa, durante a gravação do episódio que aborda o enfrentamento à violência contra a mulher, a prevenção e os 20 anos da Lei Maria da Penha - Foto Kaio Kauffman/jornalnoroeste.com

A violência contra a mulher nem sempre começa com uma agressão física. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem em comportamentos de controle, ameaças, humilhações, isolamento, perseguição e outras formas de violência que podem ser naturalizadas dentro de relacionamentos. É justamente sobre essas situações, muitas vezes silenciosas, que o NoroCast – o podcast do Jornal Noroeste coloca o tema em discussão nesta terça-feira (18), às 19 horas.

O episódio recebe a Soldado Bárbara Campos Buzignani Gomes e o Cabo Marcos de Lima Santos, da Polícia Militar do Paraná, para uma conversa sobre violência doméstica e familiar, prevenção, mecanismos de proteção e os desafios enfrentados por mulheres que vivem situações de violência.

A entrevista será conduzida pelos diretores do Jornal Noroeste, Alex Fernandes França e José Antônio Costa, e poderá ser acompanhada pelo canal do jornal no YouTube.

Agosto Lilás ganha significado especial em 2026

A discussão ocorre durante o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. A mobilização foi instituída pela Lei Federal nº 14.448/2022 e tem como objetivo ampliar a conscientização da sociedade sobre a violência doméstica e familiar e fortalecer ações de prevenção e enfrentamento.

Neste ano, a campanha também marca uma data importante: 20 anos da Lei Maria da Penha.

Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei Federal nº 11.340/2006 estabeleceu mecanismos específicos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra a mulher e criou instrumentos de proteção que modificaram a forma como esse tipo de violência é tratado pelo Estado.

Duas décadas depois, entretanto, o desafio permanece. A existência da legislação não elimina, por si só, situações de violência que continuam ocorrendo dentro de casas e relacionamentos. Por isso, informação, prevenção, acolhimento e acesso à rede de proteção permanecem fundamentais.

Quando a violência não deixa marcas visíveis

Um dos pontos que deverão ganhar destaque na conversa é a necessidade de reconhecer que violência contra a mulher não se limita à agressão física.

A legislação brasileira reconhece diferentes formas de violência, entre elas a física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

A violência psicológica, por exemplo, pode envolver ameaças, constrangimentos, humilhações, manipulação, isolamento, vigilância constante e tentativa de controlar comportamentos e decisões. Por não apresentar necessariamente marcas aparentes, pode ser mais difícil de ser identificada por pessoas que estão fora da situação.

No relacionamento, determinados comportamentos também podem ser confundidos com ciúme, preocupação ou conflitos comuns. A diferença está, entre outros fatores, na utilização do controle, da intimidação e da ameaça para limitar a liberdade e a autonomia da mulher.

O silêncio e o ciclo da violência

Outro desafio está no momento da denúncia.

Por diferentes razões, uma mulher pode levar tempo para procurar ajuda. Medo do agressor, dependência financeira ou emocional, preocupação com os filhos, vergonha e falta de informação estão entre os fatores que podem dificultar a ruptura com uma situação de violência.

O episódio também aborda o ciclo da violência doméstica, conceito utilizado para explicar uma dinâmica que pode envolver períodos de tensão, episódios de violência e momentos posteriores de aparente arrependimento ou reconciliação.

A Soldado Bárbara Campos Buzignani Gomes e o Cabo Marcos de Lima Santos, da Polícia Militar do Paraná, participam do NoroCast desta terça-feira (18), em uma conversa sobre violência contra a mulher, prevenção, denúncia, proteção e os 20 anos da Lei Maria da Penha - Foto Alex Fernandes França/jornalnoroeste.com

A compreensão desse processo é importante para evitar a interpretação de que um pedido de desculpas ou um período de tranquilidade representa, necessariamente, o fim da violência.

O que fazer diante dos primeiros sinais?

A entrevista também busca responder a uma questão prática: como agir diante de uma situação de violência?

Os convidados discutem quais atitudes podem ser tomadas por uma mulher diante de uma ameaça, quais cuidados devem ser considerados após uma denúncia e como familiares e amigos podem oferecer apoio sem aumentar a exposição da vítima ao risco.

A participação da sociedade também é colocada em discussão. Identificar sinais, evitar julgamentos e orientar a busca por ajuda são atitudes que podem contribuir para interromper situações de violência.

A atuação da Polícia Militar

A experiência dos convidados permite ainda apresentar ao público a perspectiva da segurança pública.

O Cabo Marcos de Lima Santos está há 14 anos na Polícia Militar do Paraná, é pós-graduado em Segurança Pública e em Violência Doméstica e atua na Patrulha Maria da Penha, serviço voltado ao acompanhamento e proteção de mulheres em situação de violência.

A Soldado Bárbara Campos Buzignani Gomes possui 12 anos de atuação na Polícia Militar do Paraná. É pós-graduada em Segurança Pública e tem formação no Curso Nacional de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar. Atualmente, atua como auxiliar de Comunicação Social do 8º Batalhão de Polícia Militar.

Durante o NoroCast, os dois profissionais abordam como a Polícia Militar atua diante de uma ocorrência de violência doméstica e quais procedimentos e cuidados são considerados para preservar a segurança da vítima.

Informação como instrumento de prevenção

Ao colocar o tema em debate, o NoroCast busca contribuir para uma discussão que ultrapassa o período do Agosto Lilás.

A prevenção depende também da capacidade de reconhecer comportamentos violentos, compreender os mecanismos de proteção existentes e saber onde procurar ajuda. Para familiares e amigos, informação pode significar a diferença entre simplesmente observar uma situação e oferecer um apoio responsável.

A entrevista também propõe uma reflexão sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha: o que avançou, quais mecanismos de proteção foram construídos e quais desafios ainda precisam ser enfrentados para que a legislação se traduza efetivamente em proteção para as mulheres.

NoroCast

O episódio especial sobre violência contra a mulher vai ao ar nesta terça-feira (18), às 19 horas, pelo canal do Jornal Noroeste no YouTube.

Participam da entrevista a Soldado Bárbara Campos Buzignani Gomes e o Cabo Marcos de Lima Santos, da Polícia Militar do Paraná. A apresentação é de Alex Fernandes França e José Antônio Costa, diretores do Jornal Noroeste.

Acompanhe o NoroCast no YouTube


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