Atalaia: indicadores de qualidade de vida e os efeitos da gestão pública local

O destaque conquistado por Atalaia no ranking nacional que avaliou a qualidade de vida nos municípios brasileiros vai além de um dado estatístico. Estar entre as melhores cidades do país e liderar a classificação no Paraná é, sobretudo, o reflexo de um conjunto de escolhas administrativas que dialogam diretamente com o cotidiano da população. Rankings passam, mas os efeitos das políticas públicas permanecem visíveis nas ruas, nas escolas, nos serviços e na relação entre o poder público e o cidadão.
O economista Amartya Sen defende que o desenvolvimento deve ser compreendido como a ampliação das liberdades e das oportunidades reais das pessoas. Sob essa ótica, qualidade de vida não se resume à renda, mas envolve acesso à educação, saúde, mobilidade e participação social. O desempenho de Atalaia sinaliza avanços nesse sentido, ao reunir indicadores positivos em diferentes áreas que impactam diretamente a vida dos moradores.
Na perspectiva do geógrafo Milton Santos, a cidade é resultado das relações sociais e das decisões políticas que se materializam no espaço urbano. Ruas asfaltadas, espaços públicos conservados e investimentos contínuos em infraestrutura não são meros detalhes estéticos, mas expressões concretas de uma gestão que compreende o território como espaço de inclusão e cidadania. Em municípios de pequeno porte, essas escolhas ganham ainda mais relevância, pois afetam de forma imediata o dia a dia da população.
Max Weber, ao analisar a administração pública moderna, destacou a importância da racionalidade, da organização e da continuidade das ações do Estado. Quando Executivo e Legislativo atuam de forma harmônica e os servidores públicos são valorizados, cria-se um ambiente favorável à execução de políticas consistentes. Esse alinhamento institucional ajuda a explicar por que determinados municípios conseguem manter bons indicadores ao longo do tempo.
O sociólogo Pierre Bourdieu acrescenta que o capital simbólico — o reconhecimento público e institucional — também exerce papel estratégico no desenvolvimento local. O fato de Atalaia figurar entre as melhores cidades do Brasil fortalece sua imagem, amplia sua capacidade de articulação regional e reforça o sentimento de pertencimento da comunidade, elementos essenciais para a coesão social.
No campo educacional, Paulo Freire lembrava que a educação é prática de liberdade e base da transformação social. Ainda que não seja o único critério dos rankings, o investimento na formação humana sustenta qualquer projeto de desenvolvimento duradouro, pois qualifica cidadãos, fortalece a democracia local e projeta o futuro do município.
O caso de Atalaia demonstra que qualidade de vida não é fruto do acaso. É resultado de planejamento, continuidade administrativa e compromisso com o bem comum. Mais do que celebrar posições em listas nacionais, o desafio agora é manter o rumo, aprofundar políticas públicas e garantir que os bons indicadores continuem se traduzindo em bem-estar real para quem vive na cidade.
* Alex Fernandes França é Administrador de Empresas, Teólogo, Historiador e Mestre em Ensino pelo PPIFOR – UNESPAR

