O VOTO

Estamos em período de campanha eleitoral que, a princípio, se desenvolverá até o primeiro domingo de outubro, mas que possivelmente se estenderá até o último domingo do mesmo mês.
Nesses próximos dias veremos quem está no poder afirmar que fará coisas importantes e necessárias para a população, sem explicar os motivos pelos quais ainda não o fez.
Veremos quem está na oposição prometer que fará as mesmas coisas necessárias e importantes, sem justificar porque impediu ou tentou impedir que o governo as fizesse ou, ainda, quando estava governando não fez.
Veremos pessoas nos visitar e pedir nosso apoio para poderem continuar o trabalho que vem realizando sem, contudo, nos mostrar o que realmente tem feito.
Veremos pessoas nos visitando para pedir nossa colaboração para que possam iniciar um trabalho, sem demonstrar como realizarão tal trabalho ou mesmo sua capacidade para tal.
Veremos pessoas reaparecem depois de quatro anos, conversando como se fossemos parentes ou amigos íntimos, sem mencionar porque desapareceu por tantos anos.
Veremos material de campanha sendo distribuído, postagens em redes sociais, horário gratuito na TV, debates, financiamento público.
E toda essa movimentação e parafernália tem um único objetivo: o seu, o meu, o nosso voto, a nossa escolha.
Em teoria, o nosso voto seria destinado a quem se mostra mais capaz para administrar ou legislar. Escolheríamos a pessoa que demonstrasse mais capacidade, da mesma forma que escolhemos o melhor médico, melhor pedreiro ou qualquer outro profissional.
Contudo, a história é rica em exemplos de que normalmente não são escolhidas as pessoas mais capacitadas para representar a população de uma determinada cidade, estado ou país
E a pergunta é: por que resolvemos votar em determinada pessoa?
Temos várias respostas. Porque é nosso amigo ou parente ou, ainda, é amigo de um amigo ou parente nosso. Porque queremos que vença porque não gostamos do outro ou outros candidatos. Porque temos uma ideologia. Porque tem uma boa aparência e excelente oratória, ainda mais em tempos de redes sociais. Porque achamos que é o melhor.
Fácil perceber que não votamos no melhor e, sim, em quem nos convence que é melhor. E a habilidade do convencimento não traz em si a competência para governar.
Um dos fundamentos da democracia é o voto. Voto representa nossa escolha para quem alguém governe e legisle em nosso nome. Essa é a importância do voto.
Mas não a única. Se uma eleição não se caracteriza pela escolha dos melhores, pelo voto podemos impedir que os piores permaneçam, ainda que continuem muito convincentes.
O poder do voto é esse: poder colocar e poder retirar. E se somos convencidos a colocar e a retirar alguém, porque nos convencemos tão somente com aparência, boa oratória e promessas vagas quando poderíamos exigir que nos convencessem com argumentos, fatos e exemplos?
O valor do voto está na qualidade da escolha que leva a qualidade do resultado das eleições. E a qualidade da escolha se revela na exigência de excelência da conduta daqueles que tentam nos convencer a escolhê-los.
O voto é o mecanismo pelo qual fazemos alguém subir com a certeza de que um dia, pela mesma forma, podemos fazê-lo descer.

