Fígado: o guardião silencioso do corpo e os riscos da esteatose hepática
O Fígado
Antes de falarmos sobre este importante assunto, é necessário termos alguns conhecimentos sobre o fígado, que é um órgão vital pertencente ao sistema digestório, localizado na parte superior direita do abdome, abaixo do diafragma e acima do estômago, rim direito e intestinos. Considerado um dos maiores órgãos do corpo humano, de cor marrom avermelhada, tem cerca de 20 cm de comprimento, pesa em torno de 1,5 kg em homens e 1,2 kg em mulheres e é subdividido em 4 lobos: direito, esquerdo, caudado e quadrado.
Os vasos do fígado incluem a artéria hepática (que traz sangue oxigenado), a veia porta (que traz o sangue rico em nutrientes do trato digestivo) e as veias hepáticas (que drenam o sangue do fígado para a veia cava inferior). A artéria hepática fornece cerca de 25% do suprimento sanguíneo, enquanto a veia porta fornece os outros 75-80%. Essas estruturas são vitais para o funcionamento do fígado.
Funções do Fígado
Além de ser responsável por mais de 500 funções, uma das principais que o fígado exerce é filtrar sangue e eliminar as toxinas, mas também possui outras funções importantes como: 1) Digestão de gorduras; 2) Armazenamento e liberação de glicose; 3) Produção de bile ; 4) Produção de proteínas; 5) Produção de colesterol; 6) Armazenamento de vitaminas (A,D,E,K,B12) e minerais (ferro, cobre); 7) Destruição de hemácias ( glóbulos vermelhos); 8) Regulação da coagulação do sangue; 9) Transformação da amônia em ureia; 10) Metabolismo de medicamentos; 11) Destruição de microrganismos; 12) Eliminação de toxinas;
Gordura no Fígado ou Esteatose Hepática
É uma condição reversível caracterizada pelo acúmulo excessivo de triglicerídeos (gorduras) nas células do fígado anormalmente. O assunto vem se tornando um problema cada vez mais conhecido pela população, ao fato dos médicos solicitarem mais ultrassonografias de abdome e o aumento da obesidade. A presença de um pouco de gordura no fígado é normal, mas quando a sua infiltração gordurosa ultrapassa 5% do seu volume, a situação começa a se complicar.
Existem dois tipos principais de gordura no fígado
1) Gordura no fígado alcoólica, que ocorre devido ao consumo excessivo de álcool. O fígado tem a capacidade de metabolizar as moléculas do etanol para eliminar a substância de nosso organismo. Mas quando o consumo de álcool é grande ou ingerida em pouco tempo, os subprodutos desse processo ficam concentrados, e eles são tóxicos para as células hepáticas. Com o passar do tempo, o dano passa interferir nas funções do órgão provocando a chamada cirrose hepática ou cirrose de Laennec.
2) Gordura no fígado não alcoólica, ocorre mais nos países industrializados ocidentais, constituem 70% dos casos que podem ser causadas por fatores como sobrepeso, obesidade, diabetes tipo II, sedentarismo, maus hábitos alimentares, pressão alta, colesterol alto, uso de medicamentos como hormônios e corticoides, inflamações crônicas no fígado como hepatites, perda ou ganho muito rápido de peso. A circunferência abdominal pode dar uma ideia de gordura no fígado. Os valores ideais pela Organização Mundial de Saúde (OMS) são menos de 94 cm para homens e menos de 80 cm para mulheres. Esses valores anteriormente eram 102 cm para os homens e 88 cm para as mulheres.
Capacidade de regeneração do fígado
A recuperação rápida do fígado está muito ligada à sua grande capacidade de regeneração, e é por isso que se pode doar parte deste órgão, fazendo a doação em vida. Vale lembrar que o fígado dificilmente se regenera em situação de fibrose ou cirrose hepática avançada.
Sintomas de gordura no fígado ou esteatose hepática (fígado gordo)
Inclui fadiga, dor abdominal, abdome inchado, perda de apetite, icterícia (pele e olhos amarelados), fezes sem cor, coceira, alterações do sono, dor de cabeça, fraqueza, aranhas vasculares (varizes finas em formato de teia de aranha). Nos casos mais graves poderemos ter a inflamação (esteato-hepatite) ou fibrose e cirrose com suas manifestações.
Diagnóstico – O diagnóstico de gordura no fígado poderá ser feito com ajuda de exames:
· Ultrassonografia abdominal, elastografia hepática, ressonância magnética, tomografia computadorizada
· Hemograma completo
· Perfil lipídico
· Níveis de TGO, TGP. Gama GT
· Fosfatase alcalina, Fosfatase ácida
· Biópsia (confirmar o diagnóstico, avaliar o grau e descartar outras patologias)
A Ultrassonografia costuma indicar o grau de gordura no fígado sendo;
· Grau I ou leve: quando há pequeno acúmulo de gordura (pode afetar até 30% das células do fígado)
· Grau II ou moderado: quando há um acúmulo moderado de gordura (pode atingir até 60% das células do fígado)
· Grau III ou grave: quando ocorre grande quantidade de gordura no fígado (pode atingir mais que 60% das células hepáticas exigindo muita atenção)
Fatores de Risco
1 - Mulheres têm um risco maior de desenvolver excesso de gordura no fígado, uma vez que o hormônio estrógeno, produzido pelo corpo feminino facilita o acúmulo de gordura;
2 - Obesidade e sobrepeso;
3 – Dislipidemia (aumento de colesterol e/ ou triglicérides);
4 – Hipertensão arterial;
5 – Genética – Fatores genéticos podem estar envolvidos no alcoolismo ou mesmo obesidade e diabetes;
6 – Esteroides anabolizantes;
7 – Toxinas ambientais: produtos químicos;
8 – Hipotireoidismo;
9 – Hipogonadismo;
9 – Hepatite crônica pelo vírus C;
10 - Síndrome do ovário policístico;
11 - Síndrome metabólica;
12 - Apneia do sono;
Como tratar fígado gorduroso
Não existe um medicamento que, sozinho, consiga retirar a gordura do fígado. Mas ele pode ajudar com outros aliados. Algumas dicas:
· Perder peso (reduzir 7% do peso corporal já traz bons resultados)
· Uso de medicamentos com orientação médica
· Controlar o diabetes ou diminuir os níveis de triglicerídeos
· Evitar o consumo de bebidas alcoólicas
· Ingerir uma alimentação saudável (evitar frituras, gorduras, doces e aumentar a ingesta de frutas principalmente vermelhas, verduras e legumes, proteínas magras, peixes ricos em ômega 3)
· Ingerir alimentos ricos em fibras, grãos integrais, frutas ricas em vitamina C, verduras, gorduras boas, reduzindo consumo de açúcares, alimentos ultraprocessados
· Realizar atividades físicas combinadas (aeróbica e anaeróbica) com frequência
· Transplante hepático
Consulte seu médico para que ele faça uma avaliação e monitoramento continuo de seu fígado!
Bibliografias
Sociedade Brasileira de Hepatologia
Fígado – Ministério da Saúde
Guyton & Hall – Fisiologia Médica
Publicações do Hospital Israelita Alberto Einstein, São Paulo-SP
Robbins & Cotran e Ravel

