Eu sou essa gente

Caríssimos e Caríssimas leitores(as). Um novo ano se inicia, mas quero começar nossas reflexões, trazendo um fato ocorrido ao final do ano que se foi e que faz parte infelizmente de um cotidiano histórico de nossa sociedade. Os adeptos de religiões de matriz africana, foram proibidos pela prefeitura de realizar suas práticas no dia 31/12, algo tradicional. Houve contestação por parte dos religiosos e o prefeito reagiu, os chamando de “essa gente”. Expressão que convenhamos, guarda um forte conteúdo de intolerância religiosa.
Quando trago esta reflexão, estou bem tranquilo de minha situação, pois me relaciono bem com ateus, agnósticos, evangélicos, católicos e praticantes das religiões de matriz africana. Tenho as minhas convicções e sempre respeitei a dos outros. O prefeito do Rio de Janeiro, ao proferir o termo “essa gente”, não apenas discriminou, destratou e desrespeitou uma religião, mas sim a toda uma tradição, uma ancestralidade e uma história que faz parte de nossas raízes.
A intolerância de qualquer tipo é um mal próprio da ignorância e da dificuldade de lidar com a diversidade. Deste modo, se queremos ter um Estado laico de fato, todos nós em nossas posturas e convicções devemos nos respeitar mutuamente. Se assim ocorrer, eu me sentirei respeitado, pois sou parte dessa gente.

