Caríssimos e caríssimas leitores(as)
Penso que no geral, a experiencia do luto é causadora de muitos distúrbios, sofrimento, e sentimentos de total impotencias, perante a morte que chega e leva alguém querido. Podemos inclusive sofrer pela expectativa da chegada do luto.
No seu livro, Notas Sobre o Luto a pensadora e escritora nigeriana Chimamanda, usa a seguinte expressão, com referência ao luto, quando seu pai vem a falecer:” Como eu amava muito o meu pai, um amor arrebatador e terno, no fundo sempre temi esse dia”. O dia que a morte de seu pai ocorreria. O medo da morte e da perda, se fazem presentes nesta expressão.
Interessante como Chimamanda faz uma crítica ao que se apresenta como “vamos celebrar a vida dele. Que fácil fazer um sermão sobre o caráter definitivo da morte, enaltecendo a vida do morto, com lembranças. Como afirma a pensadora: “Ter um amor arrancado, sobretudo quando isto é inesperado e depois ouvir que deve recorrer as lembranças. Chimamanda afirma que na realidade, o caráter definitivo da morte, que se apresenta como a fonte de toda aflição do luto.
Chimamanda ainda faz a seguinte descrição do luto: “O luto não é etéreo; ele é denso, opressivo, uma coisa opaca. O peso é maior pela manhã após despertar: um coração de chumbo, uma realidade cujo pai está sempre presente, que se recusa a ir embora. Eu nunca mais vou ver, o meu pai” Temos a dor e o sentimento de perda.
Como Chimamanda observa, há um jeito africano de se tentar lidar com o luto: “luto exteriorizado, performático e expressivo, no qual se atende a todos os telefonemas e recontar o que aconteceu, no qual o isolamento é um anátema. Porém, Chimamanda destaca:” Mas eu não estava pronta” na verdade, ninguém está.
