terça-feira, 27 de outubro de 2026

Reconstrução

As eleições terminaram. Finalmente. Após um período curto, porém muito demorado e desgastante, exercemos nosso direito de escolher os membros dos Poderes Legislativo e...

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ColunistaR. S. Borja
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Publicado em27/10/2026

As eleições terminaram. Finalmente. Após um período curto, porém muito demorado e desgastante, exercemos nosso direito de escolher os membros dos Poderes Legislativo e Executivo nas esferas estadual e federal. Se é certo que, para os membros do Poder Legislativo, nós escolhemos quem queremos, para o Poder Executivo invariavelmente votamos não só no nosso preferido, mas contra aquele que não queremos.

E, diante desse panorama, no afã de querer evitar que aquele que não escolhemos vença, adotamos uma postura agressiva e ofensiva, ultrapassando vários limites de civilidade e cordialidade. E esse comportamento negativo se agrava quando deixamos de selecionar o alvo das críticas, ofensas e agressões, e passamos a desrespeitar as relações familiares, de amizade, amorosas, comerciais e profissionais, causando rompimentos e afastamentos, com a quebra de diversos laços.

Terminadas as eleições, o trabalho que se mostra mais árduo é o de nos despirmos da roupagem de eleitor e voltar a vestir a de pai, mãe, filho, irmão, amigo, cliente, sócio, patrão, empregado, possibilitando a reconstrução dos laços esgarçados ou mesmo rompidos.

O principal passo para essa reconstrução é aceitar. Aceitar o resultado sem criar teorias de conspiração. Aceitar que o vencedor agradou a maioria dos eleitores. Aceitar que foi mais persuasivo, tendo consciência de que a persuasão pode ocorrer de diversas formas e por diversos meios, morais ou imorais, éticos ou não éticos, narrativas ou fatos. Aceitar que aquele que escolhemos não foi o escolhido pela maioria,

Devemos também entender que cada um tem sua realidade e forma de enxergar, E entender que a escolha e julgamento passam, normalmente, por três análises: os argumentos, como a pessoa se apresenta e como as pessoas veem o candidato. E que é essa última é a que decide, Por isso, a escolha de um ou a rejeição de outro encontra-se vinculada a realidade, situação de vida e experiência que cada um de nós temos e que a posição de cada um não se sustenta só na opinião, mas também em sentimentos.

Por fim, a reconstrução passa pela conciliação e reaproximação, baixar a guarda e escutar, ponderando o que seria prioritário no momento, a defesa de um estranho ou a convivência com um conhecido que certamente será aquele que poderá te apoiar em algum momento de dificuldade.

Aceitar + Entender + Conciliar = Reconstrução.

Reconstrução dos almoços de domingo em família. Reconstrução do churrasco e do futebol com os amigos. Reconstrução dos laços familiares e de amizade. Reconstrução do convívio social. Reconstrução da saúde emocional e mental.

Quem sabe assim possamos escolher ter um fim de ano com ceia de Natal em harmonia, tranquilidade, amizade e tudo o mais que merecemos. E que a única discussão que tenhamos seja colocar ou não a uva passa no arroz.  

Colunista

R. S. Borja

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